Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de maio de 2005
Colorido baiano
O morador escolheu um arquiteto moderno e arrojado, mas não abriu mão de lembranças bucólicas da infância, vivida no interior. Assim, recriou o jardim com topiarias e palmeiras-imperiais.
A harmonia desta casa no bairro de Itaigara, em Salvador, prova que mesmo quando duas pessoas têm idéias diferentes podem chegar a um final satisfatório. O dono, o médico Eduardo Lopes, trouxe da infância a idéia romântica de ter uma moradia cheia de árvores podadas de forma artística que lembrassem Amargosa, interior baiano, onde nasceu. Mas o curioso é que quando pensou realmente em construir já casado, com duas filhas procurou o arquiteto Fernando Peixoto, conhecido pelo arrojo e colorido de seus projetos erguidos por todo o país e até no exterior. Hoje os dois relembram que houve entendimento do começo ao fim da obra. E concordam: o resultado combina a ousadia do autor com o desejo antigo do morador, ou seja, a fachada de linhas retas ganhou a companhia do paisagismo com topiaria (arte da poda) e palmeiras tropicais.

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Linhas e cores
Os cuidados do projeto chegam aos detalhes. Do exterior, por exemplo, não se vêem as varandas. O arquiteto achou que elas poderiam poluir a fachada e as escondeu com as muretas revestidas de mosaico de vidro. Já o oposto aconteceu com o piso de entrada, que ele quis destacar. "Se o atenuasse, a entrada se perderia visualmente. Optei então por uma composição de granito preto e branco, cortado e montado na obra", diz Peixoto. Outras sutilezas estão no uso da cor: ele partiu para a difícil combinação de roxo e azul. Essas experiências cromáticas são recorrentes em seus trabalhos e o arquiteto revela o segredo da combinação. "Pesquisei as variações que se obtêm com a dosagem do vermelho até atingir tons de azul-acinzentado e roxo-uva." Para encontrar a primeira cor, ele recorreu à cartela da Vidrotil. O roxo-uva e o azul-forte vieram com as cerâmicas (10 x 10 cm) encomendadas na Portobello.

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Pedras e texturas
A aparência natural das pedras funciona para o arquiteto como um contraponto à modernidade de seus projetos. "Eu não quero criar casas para Flash Gordon", adverte, referindo-se ao herói das histórias em quadrinhos. "Quero projetos arrojados mas com cara de casa, para dar aconchego", completa. Aqui, destacou a pedra lagoa santa, extraída em Minas Gerais, com cortes retangulares de tamanho variável e assentadas sem nivelamento, com argamassa de cerâmica. Aparecem no muro e nas paredes da escada de acesso à casa. E também na parede do boxe de um dos banheiros. Fernando Peixoto conta o segredo: não basta a pedra para conseguir essa aparência natural. "É preciso deixar saliências. Se tirar, vira um muro de cimento", ironiza.

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Projeto de arquitetura:
Fernando Peixoto
Reportagem:
Valdemir Santana
Fotos:
Marcos Lima