Paredes curvas e grandes painéis de vidro são referências que migraram do movimento art déco (início do século 20) para a prancheta da arquiteta paulista Mônica Drücker ao compor esta casa. Eles se misturam a outros elementos, como o piso de granilite, um hit dos anos 50, que resplandece em todo o pavimento inferior.
Foi um pedreiro, nos últimos dias de obra, quem chamou de mirante esta construção... mirabolante. Ele se referia à varanda do piso superior, de onde se contempla o belo skyline da cidade de São Paulo. Como numa troca de gentilezas, a casa, com sua imponência moderna, também se deixa admirar pela cidade, ou melhor, pela vizinhança. A arquiteta Mônica Drücker aproveitou a parte mais alta deste terreno em declive para plantar um ícone de sua paixão confessa, o movimento art déco (veja quadro na pág. 38). A paixão era compartilhada com os clientes, que moravam em outro bairro, num espaço bem diferente, rodeados de tijolos aparentes e peças de demolição. Não chegava a ser escuro, mas, comparado à luz que invade o novo lar, a guinada vai da água ao vinho. Ao consultarem a arquiteta, eles buscavam uma alternativa que aliasse postura e leveza. Os dois adjetivos materializam-se no sinuoso parapeito de alumínio, rodeando mezanino e varandas, em todos os acabamentos e na distribuição dos ambientes. Valorizam-se os grandes vãos, no piso térreo, onde todos os cômodos fundem-se em um só. Assim, de qualquer ponto, pais e filhos estão sempre em contato. Os quartos, no piso superior, são pequenos em relação ao restante da casa - a idéia, mais uma vez, era estimular o convívio e não o confinamento. Nem por isso, deixam de olhar para fora: todos têm varanda - à espera do telescópio.