Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de maio de 2003
O encanto das pedras
Sob a piscina, há um lajeado imenso que dificultou a construção e limitou a escavação, determinando um fundo com profundidade variada: de 0,40 a 1,80 m. Outra pedra, aparente, fica parte dentro da água. Revestimento de pastilhas de vidro Euroville e hidromassagem Jacuzzi.
Dois pilares sustentam este projeto no litoral paulista: a preservação do terreno e o uso de material de construção reciclado. Por isso, as rochas existentes foram poupadas e aproveitadas - como nesta piscina de vista privilegiada.

Quando Artur, administrador de empresas, subiu na pedra que hoje enfeita a piscina, não teve dúvidas: era aquele o terreno dos sonhos. "Fiquei impressionado com a vista. De lá dá para ver de Ubatuba a Ilhabela, passando por Caraguá e São Sebastião", conta ele. O problema era que o lote não estava à venda - detalhe resolvido com uma proposta interessante de compra. Ali, ele construiu esta casa sem perder de vista uma aspiração: preservar o local. Decisão nada fácil em se tratando da área em questão. "O declive é intenso e o solo, composto de muitas pedras", explica a proprietária, Ana Maria. A inclinação beira os 40% e foram retirados 20 mil blocos de pedras soltas, utilizadas para fazer muros de sustentação na divisa da propriedade. As que estavam sob a terra permaneceram, determinando o desenho da moradia. Não houve cortes no lote. "Só fizemos terraplanagem na rampa de acesso à casa", confirma Artur.

A reciclagem de material era outro desejo do qual o dono não abria mão. Todas as janelas e portas são do período colonial, compradas de uma obra em demolição. A telha caipira vem do tempo em que se moldavam as peças nas coxas dos escravos. "Cerca de 80% do material é antigo", resume Artur. E aquilo que não é recebeu tratamento para ficar como tal. As paredes caiadas (algumas, nos quartos, ganharam revestimento de barro) e o piso de cimento reforçam o aspecto rústico. Em outra frente, materiais orgânicos e restos da obra foram utilizados no acabamento. Bambu, cascas de coqueiro e palhas viraram luminárias e molduras. As sobras de assoalho estão nas portas dos armários. "A casa ficou maravilhosa e relembra minha infância na fazenda", conta Ana Maria, que quis recriar esse ambiente para que suas filhas tenham uma experiência parecida com a dela.

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Projeto:
Reinaldo Chiapetta
Execução:
José Machado e José Pereira
Reportagem:
Cristina Bava e Tatiana Bonumá
Fotos:
Luis Gomes