Dúvidas cruéis que caem por terra
1. Qualquer pessoa pode pegar o barro no quintal e erguer uma casa?Não. Você tem que contratar um arquiteto ou um engenheiro que conheçam o trabalho com terra ou que estejam dispostos a estudar o assunto. Veja, abaixo, alguns grupos envolvidos com isso no Brasil e no mundo. O profissional elabora o projeto da sua casa, como faria em qualquer outro sistema, mas adota a técnica e os recursos que melhor se adaptarem a seu terreno e a seu jeito de morar. Além disso, também realizará um estudo do solo para saber se ele pode ser aproveitado na obra.
2. Como reconhecer se o solo é bom?
Um geólogo organiza esse estudo e descobre a granulometria e a porcentagem de argila, areia e sedimentos orgânicos. Numa taipa, por exemplo, o ideal é que haja 30% de argila e 70% de areia - sedimentos orgânicos, nem pensar. O que o geólogo e o arquiteto devem fazer é descobrir de que parte do lote se vai retirar o solo, evitando os aterros. Se a terra não tem os componentes na medida desejada, corrige-se a massa acrescentando o que falta. Quase sempre, a terra retirada para fazer a fundação da casa é que será usada nas paredes, mas também há casos em que é preciso trazer a matéria-prima de outros locais.
3. É mais econômico construir assim?
Depende. Naturalmente, a terra tem um custo baixo, mas trata-se de uma forma artesanal de construção e, portanto, requer tempo e paciência. Na ponta do lápis, pode haver economia, se não ocorrer imprevistos, como trincas por problemas na composição do material ou na montagem. De qualquer forma, a alvenaria representa no máximo 5% do valor de uma obra assim e, em geral, os itens responsáveis por tornar uma casa barata ou cara são os acabamentos.
4. Por que é ecológico?
Porque o trabalho com o barro dispensa a industrialização envolvida na elaboração do concreto ou do aço, reduzindo gastos de energia, por exemplo. Além disso, a matéria-prima empregada é aquela que, muitas vezes, seria jogada fora, pois sai dos locais onde se cavariam as fundações da casa. Não há desperdício e até as fôrmas de madeira utilizadas como molde são recicláveis.
5. Posso usar terra até na parede do banheiro?
Sim. O barro cru é menos resistente à umidade, mas não significa que vai desmanchar imediatamente se tiver contato com água. Em áreas úmidas, você pode revestir a parede de argamassa (sem cimento) e até colocar azulejos. Em áreas externas, recomenda-se o emprego de impermeabilizantes, se a terra estiver aparente. Mas há arquitetos que os dispensam. O principal cuidado que se deve ter - e isso também vale para alvenaria de blocos ou tijolo de barro normal - é a impermeabilização da fundação e do baldrame para evitar a umidade ascendente.
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Eles conhecem:
- Associação Brasileira dos Construtores com Terra (ABCTerra): www.abcterra.com.br. É o maior centro de referência sobre esse tipo de construção no Brasil.
- O projeto Proterra, ligado ao Programa Iberoamericano de Ciência e Tecnologia para o Desenvolvimento (Cyted), promove a capacitação de mão-de-obra (www.cyted.org). No Brasil, seu telefone é (71) 379-3506.
- A Universidade Metodista de Piracicaba tem um Laboratório de Sistemas Construtivos que foca o assunto (www.unimep.br). Ele é coordenado pelo arquiteto Eduardo Salmar, da ArchiTerra.
- O atual papa no assunto é o americano David Easton, que fundou em 1978 a Rammed Earth Works, um centro de pesquisa sobre construções modernas com terra. Seu site: www.rammedearthsworks.com.
- A Universidade de Tecnologia de Sydney, Austrália, dedica uma grande parte de seu site a informações sobre o tema: http://www.dab.uts.edu.au/ebi.
- Outro centro mundial nessa áreaé o CRATerre, ligado à Escola de Arquitetura de Grènoble, na França: www.craterre.archi.fr.
- Entre os dias 24 e 26 de outubro, Berlim sediará uma conferência sobre o tema e promete reunir gente do mundo todo: Modern Earth Building 2003 (www.moderner-lehmbau.de).