Começamos a procurar um imóvel para comprar e logo percebemos que seria difícil achar um pronto melhor do que a casa alugada em que morávamos - com a grana que tínhamos, é claro. Desde os primeiros dias sabíamos que seria preciso entrar numa reforma para satisfazer alguns desejos inegociáveis. A busca durou mais de um ano, tempo que nos permitiu afinar ainda mais nossas expectativas. Tanto que, quando finalmente achamos a casa, fechamos negócio sem sequer ter conseguido estar juntos no local. Bastou uma rápida conversa para saber como seria a arrumação: precisávamos de uma cozinha maior e de dois banheiros melhores no andar superior. Foi assim que teve início uma obra de seis meses, com direito a grandes doses de nervosismo e muita diversão.
No andar de baixo, o desafio era permitir que o cozinheiro ficasse próximo tanto da mesa de jantar (para facilitar na hora de servir) quanto da sala de estar (para não perder nenhum detalhe das conversas). A solução foi colocar vãos no lugar das portas e abrir nichos que aumentaram a noção de profundidade. Só precisávamos de duas paredes, a do piano e a da cristaleira. Como a casa fica numa rua que tem movimento durante o dia, e como o terreno é mais elevado na frente do que nos fundos, a solução foi virar tudo para o quintal: janelas grandes e uma porta de vidro descortinam a vista do bairro, calmo e arborizado.
Desde o primeiro dia gostamos muito do jeitão da casa. Por isso, a fachada só ganhou uma janela maior e um portão no lugar do muro. Nos fundos, a transformação foi mais radical. No andar superior, o guarda-corpo passou a ter um semicírculo para repetir o desenho da frente. E no quintal muito verde no lugar do cimento. Hoje, nem parece que a obra durou tanto tempo. Depois que ela termina, ficam só a satisfação e a alegria de poder morar no lugar que nós planejamos.
Custos da reformaTodo mundo diz que a reforma acaba saindo mais do que o previsto. E é verdade. No nosso caso, tínhamos dois orçamentos detalhados feitos por engenheiros e contávamos com um empreiteiro de confiança [o pai da proprietária]. Ainda assim, é inevitável que o projeto mude no meio do caminho, que a chuva estrague um serviço que era dado como pronto ou que objetos que pareciam em bom estado precisem ser substituídos. Pretendíamos gastar R$ 140 mil e gastamos cerca de R$ 155 mil, contando só o que estava orçado.
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