Após viverem cinco anos nos Estados Unidos, a psicóloga Rogéria e o engenheiro José (à frente, na foto) retornaram à casa de 575 m2 que haviam comprado em São Paulo pouco antes de se mudarem do Brasil. "Ao regressarmos, nossa idéia era mexer apenas na fachada. Folheando uma edição de Arquitetura & Construção, fui atraída pelas linhas contemporâneas de um projeto de reforma do arquiteto Márcio Mazza", lembra a moça, que de pronto entrou em contato com o profissional. A empatia foi imediata e daí veio a segurança para promover uma reforma que transformaria por completo a moradia. As mudanças aparecem já na entrada com o aumento do vão da garagem (de 4,50 para 7 m) e a troca do antigo gradil de ferro por um portão vazado de alumínio pintado de tinta epóxi.
"Existem bons projetos arquitetônicos que muitas vezes estão escondidos pelo excesso de divisórias e detalhes desnecessários", explica o arquiteto. Era o caso desta construção, ofuscada por ambientes escuros e mal aproveitados. "Hoje, temos muita luz e espaço", conta a moradora. A mudança mais notável aconteceu na sala de estar: a foto feita antes da obra mostra como a parede (que escondia um lavabo) oprimia este espaço. Para piorar, a escada de embaúba tinha um visual pesado. Retirar a parede e conseqüentemente o lavabo garantiu amplitude e luminosidade à área social, que ganhou pé-direito duplo (chega a 5,80 m) e uma generosa clarabóia . Já a escada, para ficar mais leve, teve as barras do corrimão e guarda-corpo trocadas por placas de vidro laminado 10 mm. Além do lavabo, a sala de jantar (hoje uma saleta) e a varanda também se renderam à derrubada das fronteiras e se uniram à ala de convivência. O investimento em esquadrias amplas e revestimentos claros, como o mosaico de vidro do piso, trouxe ainda mais luz para o interior da moradia.
Renovar os acabamentos era desejo expresso dos proprietários, demanda que se casou com o gosto do arquiteto de explorar texturas e materiais diferenciados. Perto do jardim-de-inverno , o piso é composto de uma grelha de fibra de vidro. "Esse revestimento, utilizado em indústrias devido à alta resistência, possui aspecto mais delicado que o ferro e é agradável de pisar descalço", diz Mazza. Uma das paredes do estar e também os pilares exibem a plasticidade do concreto aparente, quebrando a frieza do branco. As réguas de imbuia que cobriam o piso da sala foram mantidas para garantir aconchego. Com a retirada das divisórias da sala de jantar, criou-se uma charmosa saleta . Quem quiser pode sentar-se no banco de angelim-pedra para apreciar o jardim. Olhando a foto antiga (acima), dá para ver como a sala avançou até a varanda, ganhando 80 cm .
Feita de cima para baixo, a obra - que durou um ano - começou no terceiro pavimento, onde estão os quartos, passou pelo estar e sala de jantar até chegar a esta área de lazer localizada no subsolo. Neste piso antes ficava a churrasqueira e a sauna, pouco usadas pelos moradores (foto acima). "Era um lugar frio e pouco convidativo", lembra Rogéria. "Hoje, é nosso ponto favorito." Divisórias foram removidas, originando o pátio que funciona como extensão do home theater. As sessões de cinema acontecem nesta nova sala cercada de vidro, com piso de madeira (favorece a acústica), que exibe as colunas originais de concreto, feitas nos anos 60. A luminosidade que chega do alto - através da clarabóia e da grelha de fibra de vidro - beneficia o jardim lateral .
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