Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de setembro de 2004
Por uma vida mais simples
Com a estrutura à mostra e acabamentos rústicos, esta é uma construção rápida e descomplicada. Veja as soluções que resultaram em beleza e economia
A rotina atribulada do investidor financeiro Sérgio Rhein Schirato muda bastante nos finais de semana. Religiosamente, quando a sexta-feira chega, ele apanha a prancha de surfe, junta o equipamento de mergulho e ruma para o litoral norte de São Paulo. Seu destino é o refúgio que ergueu com a ajuda de arquitetos quase tão jovens quanto ele - Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara. Em 2003, após alguns anos de atividade profissional, o rapaz de 29 anos já tinha algum dinheiro no bolso e procurou a dupla para realizar seu acalentado projeto de construir na praia. "Sou maluco por essa região", conta. "Para mim não fazia sentido comprar antes um lugar para morar." Na prática, as ambições iniciais do cliente, de um sobrado com quatro quartos, cederam diante da realidade dos preços. Os arquitetos também derrubaram um antigo dogma e adotaram a estrutura de madeira, rápida de montar. "Até então imaginava que contratar uma empresa especializada em armação de madeira seria muito caro", diz Margara.

Um aspecto importante para os arquitetos era não interferir muito na paisagem. Daí a cobertura baixa e discreta. A curva do telhado dá leveza ao conjunto, além de ser prática: as chapas de alumínio com 11 m de comprimento forram a casa de lado a lado, sem emendas, e foram colocadas facilmente.

"O plano era dedicar tempo e energia ao projeto para simplificar a obra", conta Margara. Deu certo, em parte. Em 45 dias, fundação, arcabouço e cobertura estavam de pé. Depois, subiram as paredes, instalações elétricas e hidráulicas, acabamentos... e parou. Sérgio ficou sem dinheiro e interrompeu os trabalhos, levando os quatro meses previstos a um ano. "Me atrapalhei com os gastos na área externa: R$ 10 mil só no portão, R$ 9 mil de vidros e R$ 18 mil na piscina", diz.
Alguns finais de semana de sol e mar depois, a lembrança do momento de aflição quase desapareceu. O resultado agradou em cheio e a piscina está quase pronta. "Afinal, não é essa a melhor parte de uma casa de praia?", indaga o proprietário.

Compare os gastos por etapa em dois sistemas construtivos:
fase da obra nesta casa de madeira em casas de concreto e alvenaria
Fundação 5% 3 a 7%
Cobertura 5%
4 a 8%
Estrutura 13% 14 a 22%

Pontos de economia
Levíssima, a cobertura se sustenta em vigas e pilares delgados. Também leva materiais fáceis de colocar e de baixo custo, como as telhas de alumínio anodizado (sem pintura) e o forro de chapas de OSB (prensado de fibras de madeira, comum em tapumes), com 1,20 m de espessura, fornecido
pela Masisa. O conforto no interior é garantido pelo recheio de lã de rocha, material termoacústico.

O solo arenoso e firme permitiu adotar uma fundação superficial, mais econômica que as versões profundas - chama-se radier, tipo de laje com 20 cm de espessura. Ela e o calçamento da área externa da casa ficam sobre a parte aterrada do lote, um platô com 50 cm de altura.

A armação de jatobá é modular, ou seja, usa peças de mesma medida. Os pilares medem 12 x 20 cm e as vigas, 12 x 12 cm. Seguindo a padronização, muitos vãos e as medidas dos diversos ambientes são múltiplos de 3,60 m - repare na planta a distância entre os pilares.

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Projeto:
Alexandre Cafcalas e Guilherme Margara
Estrutura de madeira:
Ita Construtora
Reportagem:
Joana L. Baracuhy
Fotos:
Nelson Kon
Ilustrações:
Carlos Campoy