Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de novembro de 2004
Simplesmente terra
O morador levou cinco anos para fazer esta casa com taipa e tijolos de barro. Para dar certo, ele e o arquiteto treinaram cada pedreiro.
Francisco Da Riva, administrador de empresas, costuma dizer que sua casa nasceu da montanha. É verdade. Ele escolheu um terreno no pé da serra da Mantiqueira, na região de São Francisco Xavier, em São Paulo. Na implantação da construção, a terra removida do terreno serviu para erguer as paredes. Com o arquiteto e autor do projeto, Maxim Bucaretchi, Francisco optou pela técnica secular de taipa de pilão, em que a terra é prensada em fôrmas. "Foi gratificante resgatar a maneira com a qual foram feitos os primeiros monumentos bandeiristas durante a colonização do Brasil", conta o morador. Por dois motivos: uma obra que aproveita materiais locais é considerada ecológica - pois menos recursos energéticos são utilizados. "O segundo motivo foi o processo de trabalho", diz. O canteiro de obras virou um lugar de experimentos. Ali, as ferramentas foram especialmente boladas por Bucaretchi. Pedreiros locais foram capacitados por ele e pelo morador - que mergulhou em uma extensa pesquisa sobre construções com terra crua. Por isso, ao se lembrar dos cinco anos que passou levantando sua morada, ele repete, categoricamente: "O fazer foi tão bom quanto o resultado".
 
Como se faz a taipa de pilão
Ao iniciar uma obra com terra crua, é imprescindível a análise do terreno. "Verificamos o tipo de solo antes de partir para a composição ideal que iria formar a parede", diz Bucaretchi. Na casa de São Francisco Xavier, as fundações de pedras recolhidas do terreno apóiam as paredes de 36 cm de espessura, constituídas de uma mistura na proporção de 70% de terra, 18% de areia e 12% de cal. Para garantir a firmeza da estrutura, acrescentou-se baba de cupim - substância com a qual os bichinhos fixam seus cupinzeiros, sintetizada para o mercado com o nome de DS 328. Toda a composição foi despejada entre as fôrmas de madeira, em camadas de 10 cm por vez, e socada com um pilão até a camada se reduzir a 5 cm - e assim por diante. Prontas após cinco dias, as paredes desenformadas foram protegidas com plástico até receber o telhado.

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Projeto:
Maxim Bucaretchi
Reportagem:
Eliana Medina e Mariana Lacerda
Montagem sobre foto:
Greg
Plantas:
Carlos Campoy
Ilustrações:
Juliana Sidsamer