Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de fevereiro de 2005
Sob Medida
O recuo na lateral da casa segue leis rigorosas para ser ocupado. Nem por isso está fadado ao desperdício. É possível aproveitá-lo.



1. Poucos limites entre sala e quintal - foto de abertura
Que tal estender a casa para o lado de fora? Talvez essa seja a primeira idéia que ocorre a qualquer interessado em otimizar as laterais do terreno. E foi o ponto de partida na solução elaborada pelo arquiteto paulista Eduardo Ikoma, da Vertex Projeto e Gerenciamento, para um sobrado na cidade. Ele sugere erguer um pergolado (veja boxe à esq.), com armação de alumínio e cobertura de vidro, e prolongar as salas de estar e de jantar por meio de grandes portas de correr de PVC e vidro. A continuidade do espaço é sinalizada pelo piso: internamente, o assoalho de madeira ranhurado imita um deck; do lado de fora, há um legítimo deck de ipê, resistente à umidade. Outra providência ajuda a integrar os espaços: a churrasqueira se comunica com a cozinha através de um passa-pratos, facilitando o trabalho entre as duas áreas. Crescimento controlado: Neste projeto, a pérgola com vidro é maior que o limite isento de taxação ­ isso eleva o quociente de aproveitamento e a taxa de ocupação e faz subir o IPTU. No geral, em São Paulo, vale o seguinte: pergolados com até 2 x 1,50 m estão livres de taxação. Coberturas com lona ou toldo não contam. Antes da obra, consulte o zoneamento de seu bairro e cidade para conhecer as regras do local. Algumas prefeituras mantêm sites ou telefones para isso.

Três segredos do projeto
1. Portas espertas: além de amplas, as esquadrias de alumínio e vidro (3 m de comprimento e 2,50 m de altura) correm diante das paredes de alvenaria e ficam escondidas por painéis de madeira cumaru ripada. Esse recurso libera a passagem e dá flexibilidade para posicionar os móveis.
2. Água e ar: o vidro termina a 50 cm da parede, deixando uma brecha para a circulação de ar. O canteiro e a fonte que ficam nessa mesma linha recolhem a água da chuva, que escoa pela cobertura transparente.
3. Hidráulica simples: a cascata aproveita uma torneira de jardim, enquanto a tubulação de água da pia da churrasqueira foi puxada da prumada da cozinha.

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2. Paredão verde, refresco na cidade
O projeto do arquiteto paulista Gil Melo valoriza os espaços internos da casa incrementando o recuo lateral. O exíguo 1,50 m do corredor ganha um canteiro com horta para abastecer a cozinha e vasta cobertura vegetal ­ que pode ser apreciada de dentro da construção. E mais: um pergolado de ipê evita que os moradores sejam vistos das construções vizinhas. O primeiro passo desta reforma é a construção da jardineira de alvenaria (veja no detalhe) e a colocação do mosaico português bege no piso, material claro e de aspecto leve. Segue-se a substituição das esquadrias por outras maiores e de correr, de madeira e vidro, que proporcinam uma bela visão de fora. A porta da cozinha e a janela da sala ganham uma pequena laje, que as protege da chuva. Por fim, a caiação no tom azul-cobalto realça as orquídeas plantadas nas placas de fibra de coco e a trepadeira que escala o paredão.

Plantas que vingam:
No muro predominam espécies tropicais, de meia-sombra: chifres-de-veado, orquídeas, bromélias e samambaias comuns ­ sempre cultivadas em placas ou vasos de fibra de coco fixados na parede ou pendurados no pergolado. Na horta, as espécies estão em ordem decrescente ­ assim sombreiam umas às outras e apanham ao menos quatro ou cinco horas de sol por dia. Plantas em touceiras (caso do manjericão) ficam ao sul; as mais baixas, ao norte. Pés de alface e couve mantêm 15 cm de distância. Cebolinha e salsinha são plantadas juntas, assim como hortelã e menta ­ mas as raízes destas não devem se misturar, ou brotam híbridos. As regas são diárias, exceto para a sálvia e o alecrim, que pedem pouca água.

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Reportagem:
Daniela Lapetina
Ilustração:
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