1. Poucos limites entre sala e quintal - foto de aberturaQue tal estender a casa para o lado de fora? Talvez essa seja a primeira idéia que ocorre a qualquer interessado em otimizar as laterais do terreno. E foi o ponto de partida na solução elaborada pelo arquiteto paulista Eduardo Ikoma, da Vertex Projeto e Gerenciamento, para um sobrado na cidade. Ele sugere erguer um pergolado (veja boxe à esq.), com armação de alumínio e cobertura de vidro, e prolongar as salas de estar e de jantar por meio de grandes portas de correr de PVC e vidro. A continuidade do espaço é sinalizada pelo piso: internamente, o assoalho de madeira ranhurado imita um deck; do lado de fora, há um legítimo deck de ipê, resistente à umidade. Outra providência ajuda a integrar os espaços: a churrasqueira se comunica com a cozinha através de um passa-pratos, facilitando o trabalho entre as duas áreas.
Crescimento controlado: Neste projeto, a pérgola com vidro é maior que o limite isento de taxação isso eleva o quociente de aproveitamento e a taxa de ocupação e faz subir o IPTU. No geral, em São Paulo, vale o seguinte: pergolados com até 2 x 1,50 m estão livres de taxação. Coberturas com lona ou toldo não contam. Antes da obra, consulte o zoneamento de seu bairro e cidade para conhecer as regras do local. Algumas prefeituras mantêm sites ou telefones para isso.
Três segredos do projeto
1. Portas espertas: além de amplas, as esquadrias de alumínio e vidro (3 m de comprimento e 2,50 m de altura) correm diante das paredes de alvenaria e ficam escondidas por painéis de madeira cumaru ripada. Esse recurso libera a passagem e dá flexibilidade para posicionar os móveis.
2. Água e ar: o vidro termina a 50 cm da parede, deixando uma brecha para a circulação de ar. O canteiro e a fonte que ficam nessa mesma linha recolhem a água da chuva, que escoa pela cobertura transparente.
3. Hidráulica simples: a cascata aproveita uma torneira de jardim, enquanto a tubulação de água da pia da churrasqueira foi puxada da prumada da cozinha.
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2. Paredão verde, refresco na cidade
O projeto do arquiteto paulista Gil Melo valoriza os espaços internos da casa incrementando o recuo lateral. O exíguo 1,50 m do corredor ganha um canteiro com horta para abastecer a cozinha e vasta cobertura vegetal que pode ser apreciada de dentro da construção. E mais: um pergolado de ipê evita que os moradores sejam vistos das construções vizinhas. O primeiro passo desta reforma é a construção da jardineira de alvenaria (veja no detalhe) e a colocação do mosaico português bege no piso, material claro e de aspecto leve. Segue-se a substituição das esquadrias por outras maiores e de correr, de madeira e vidro, que proporcinam uma bela visão de fora. A porta da cozinha e a janela da sala ganham uma pequena laje, que as protege da chuva. Por fim, a caiação no tom azul-cobalto realça as orquídeas plantadas nas placas de fibra de coco e a trepadeira que escala o paredão.
Plantas que vingam:
No muro predominam espécies tropicais, de meia-sombra: chifres-de-veado, orquídeas, bromélias e samambaias comuns sempre cultivadas em placas ou vasos de fibra de coco fixados na parede ou pendurados no pergolado. Na horta, as espécies estão em ordem decrescente assim sombreiam umas às outras e apanham ao menos quatro ou cinco horas de sol por dia. Plantas em touceiras (caso do manjericão) ficam ao sul; as mais baixas, ao norte. Pés de alface e couve mantêm 15 cm de distância. Cebolinha e salsinha são plantadas juntas, assim como hortelã e menta mas as raízes destas não devem se misturar, ou brotam híbridos. As regas são diárias, exceto para a sálvia e o alecrim, que pedem pouca água.