Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de fevereiro de 2005
Procura-se uma casa semipronta
Ela foi comprada como a imagem superior de abertura... e abaixo, o resultado depois da reforma.
A construção inacabada que se vê à esquerda foi adquirida exatamente neste ponto por um jovem casal de Bauru, interior de São Paulo. Esse cenário, que poderia ser sinônimo de dor de cabeça em outro contexto, resplandecia como ouro em pó para a dupla, que tinha pressa e não queria enfrentar uma obra desde o começo. Eles viviam em apartamento e procuravam um espaço maior para os filhos, um bebê de 1 ano e meio e outro que estava por vir. Paredes e coberturas estavam prontas, mas faltavam as instalações elétricas e hidráulicas, os pisos e a área de lazer. Além disso, a fachada tradicional do imóvel em questão e o telhado de vários planos não agradavam. A distribuição original dos ambientes também não satisfazia a arquiteta Alexandra Alcântara Teixeira, encarregada de ajudar na escolha de uma casa, além de projetar e tocar uma eventual reforma. Mas a localização num condomínio fechado e a negociação do imóvel com o proprietário (um investidor que constrói para vender) por um valor abaixo do mercado definiram o negócio.

Tudo certo, iniciou-se a reforma de nove meses, prazo em que divisórias vieram abaixo e novos cômodos surgiram para tornar a moradia mais espaçosa e confortável. O custo total não foi econômico, especialmente por causa da escolha de acabamentos de alto padrão. "Essa etapa responde por 15% a 32% dos custos", explica a arquiteta. Eles compraram itens mais caros que o previsto e excederam esse valor. A construção remodelada agradou em cheio à família e, depois disso, eles não querem mais sair de lá. "As viagens de fim de semana diminuíram. Agora, se podemos escolher, preferimos ficar em casa", diz a moradora.

Este tipo de compra vale a pena?
Para este casal, arrematar a obra inacabada foi um bom negócio, pois o pagamento à vista gerou um desconto de 20% no valor do terreno. "Não tivemos que esperar a construção ser erguida e terminamos a casa como queríamos", diz o morador. O arquiteto e empreiteiro Leonardo Bichara, de São Paulo, concorda quanto à economia na compra. "Nesse tipo de negociação geralmente considera-se a obra praticamente como perdida", afirma. Ele lembra, porém, que é preciso prestar atenção no sistema de construção realizado para saber se vai permitir as modificações desejadas. "É interessante examinar o projeto da casa, o tipo de fundação e até conversar com o vizinho para averiguar por que a obra está sendo vendida", comenta. Já o empreiteiro paulista Antônio Carlos Souza Moura diz que a economia no terreno pode se traduzir em gastos futuros. "Se o telhado foi malfeito, terá que ser desmontado e montado novamente", fala. Moura aconselha levar um profissional até o imóvel antes da compra e verificar se a obra seguiu as normas cabíveis.

Mudanças na planta rendem 63 m2
A prioridade da reforma era aumentar o tamanho dos cômodos e integrar a cozinha à área de lazer, onde já havia uma churrasqueira e foi incluída a piscina. Os 63 m2 de acréscimo conferiram sensação de amplitude à casa, reforçada ainda pelas novas dimensões das janelas.

A suíte do casal cresceu ao ocupar o closet e a sacada. Também ficou mais arejada e ventilada ­ sem falar na vista ­, pois comunica-se com dois terraços.
Dica: aberturas em paredes opostas refrescam o ambiente; mas isso deve ser avaliado caso a caso para não criar indesejadas correntes de ar.

A sala de TV ocupa o que seria um dormitório, acrescido do banheiro e de uma pequena sacada. O espaço ficou agradável e amplo porque estende-se pela nova varanda com deck. A comunicação é total graças à porta sanfonada, que libera completamente o vão da esquadria.

O banheiro construído para o bebê usa a mesma rede hidráulica do outro. Como as instalações não estavam prontas, foi possível definir sua localização, sem gastar demais.
Dica: alinhar banheiro, cozinha e lavanderia barateia a rede hidráulica. Em casas grandes, é comum ter que usar mais que uma prumada ­ duas é adequado a uma construção deste porte.

Em cima da garagem surgiu outro cômodo (o quarto dormitório). Como já havia uma laje sob o telhado, bastou remover a cobertura e erguer as paredes.

O lavabo (antes, espremido embaixo da escada) foi parar na varanda, de onde roubou 4,20 m2. No novo local, a meio caminho da área de lazer e da sala de estar, atende à piscina, funcionando como vestiário.

Para integrar sala de estar e jantar, copa e sala de TV ­ formando um ambiente único ­, removeram-se muitas paredes. A mudança exigiu um recálculo da estrutura, solicitado ao autor do projeto inicial, e demandou o reforço das vigas.
Dica: não remova vigas ou pilares sem verificar a segurança da obra. Contate primeiro o profissional responsável pelo projeto ­ afinal, ele já o conhece.

O lugar da cozinha, do quarto e do banheiro de empregada foi invertido. Antes, estes dois ficavam numa área nobre da construção. Agora, os ambientes de serviço (lavanderia e despensa incluídas) ocupam a lateral da casa. A cozinha se comunica com a churrasqueira.

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Projeto:
Alexandra Alcântara Teixeira
Engenharia:
José Antônio Franco Soares
Paisagismo:
Luciana Yacubian Fernandes
Empreiteiro:
Dino Mariuzzo
Reportagem:
Eliana Medina e Verônica Fraidenraich
Fotos:
Luiz Roberto Pereira