Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de março de 2005
Aperta daqui, segura dali...
Quem está construindo sabe: o dinheiro acaba no meio, as contas não fecham ao fim... A saída, penosa, passa pelo corte de gastos. Mas a história inspiradora desta família mostra que abrir mão de pequenos luxos tem suas recompensas quando o assunto é construir a casa dos sonhos.
Só para aliviar, começo pelo final feliz: Denise e o marido já voltaram a jantar fora, viajar, assinar revistas... Mas, há cinco anos, quando iniciaram a obra, a lista de "não pode" e "não dá" era extensa. A enfermeira e o administrador ­ gente como a gente, que vai juntando dinheiro aos poucos para realizar grandes sonhos ­ moraram num apartamento de 180 m2 durante 14 anos, num prédio sem elevador. Desejavam uma casa. "Bem ampla, com quintal, como se fosse no campo, mas perto da cidade", resume ela. A irmã, arquiteta, dava a maior força ­ e dava o projeto também, claro. Mas o problema estava justamente no bolso. Um dia, quando a poupança engordou um pouco mais, o casal comprou um terreno num condomínio nos moldes desejados. Venderam o apartamento por R$ 70 mil, mudaram para uma casa emprestada por outro irmão de Denise e começaram as obras. Gastaram mais uns R$ 200 mil na construção, contando sempre com a ajuda de toda a família. Dívidas? Na época, eles tiveram que rolar muitas. Mas tudo passa. Em sua casa de 350 m2, eles olham para trás e vêem tudo pago. Sensação melhor do mundo.

Sala de TV
"Ela pediu muito espaço", lembra a arquiteta Josete Quadros, irmã de Denise. Isso significava ambientes com média de 17 m2, como é o caso desta sala. A moradora apertou o orçamento, mas se recusou a perder medidas.

Cozinha
Como o xis da questão de uma casa está nos revestimentos e acabamentos (nessas fases vão-se 32% do orçamento), ficaram vetados os porcelanatos e mármores. Cozinha, sala de jantar, copa e varanda têm cerâmica Eliane ­ um grande lote, comprado direto do fabricante, ganhou desconto.

Varanda
A moradora jura: apesar do tamanho da casa, todos os espaços são usados com freqüência. A varanda, por exemplo, se abre generosamente para o quintal (veja na próxima página) e é local disputado por todas as visitas para uma boa prosa.

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Jardim
Cajueiro, mangueira, abacateiro, bananeira e caramboleira... é quase um pomar, mas ainda sobra espaço no gramado para os quatro cachorros e oito gatos, animais oficiais do casal, além dos pássaros, população flutuante que se sente em casa por ali.

Entrada
O condomínio é simples, daqueles sem área de lazer comum. Mas há segurança e, por isso, o terreno dispensou muros altos.

Quintal
O declive do terreno se acentua perto do muro dos fundos. Houve o mínimo possível de movimentação de terra ­ o que propiciou economia ­ e os ambientes internos se distribuem em meio-nível. No quintal, o relevo ficou mais próximo do original.

Planta
Como o marido de Denise é paulistano e costuma ter familiares em visita a Salvador, há um quarto sempre pronto para receber. Se vier mais gente, o que não falta é sala: de leitura, de estar, de TV... para acomodar todo mundo.

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Projeto:
Josete Moura Mercês
Reportagem:
Márcia Carini
Fotos:
Marcos Lima
Plantas:
Alice Campoy