William é baiano de Itaberaba. Há 23 anos vivendo em Salvador, conhece cada canto da cidade. Ricardo é argentino. A primeira vez que viu a Bahia foi pela TV, num documentário sobre o trabalho do artista Carybé (1911-1997), que nasceu na Argentina mas virou baiano de coração. O amor pelas ruelas soteropolitanas e também pela profissão que escolheram aproximou os dois arquitetos e os levou a encarar uma empreitada e tanto. Ricardo, que trocou seu país natal pelo Brasil há 12 anos, percorria o Centro Histórico nutrido do desejo de fincar raízes ali. Numa conversa com William, com quem trabalhava, descobriu que o colega também sonhava ter um espaço naquela área para morar e trabalhar. Uniram forças, pranchetas e grana. Assim começou a busca entre os imóveis tombados pelo Patrimônio Histórico. Foram seis meses garimpando. Até que, um dia, abriram as então combalidas portas deste sobradinho. Tinham encontrado o local perfeito.
A situação do sobrado era crítica, e o dois arquitetos sabiam disso. O andar superior estava mais comprometido o telhado, por exemplo, sofria com as goteiras. Havia até telhas de fibrocimento sobrepostas às de cerâmica. O assoalho parecia prestes a cair. Ainda assim, o orçamento só possibilitava uma reforma em etapas. Primeiro, refizeram o andar de baixo e usaram o piso superior como depósito. Um ano depois, as chuvas castigaram a cobertura e ficou impossível adiar a segunda fase da obra. Os dois tiveram que morar um ano e meio na casa de amigos, para que o sobrado fosse destelhado e todo o assoalho de cima trocado por uma laje pré-moldada de isopor. Mesmo contando com sorte e generosidade já que no andar superior, além dos pisos de madeira, as janelas também foram doados por amigos , William e Ricardo acreditam que, no total da reforma, investiram mais 50% do valor que pagaram pela casa, R$ 60 mil, em 1999.
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