Viajar 750 km até o Canto da Lagoa, em Santa Catarina, significa mais do que fugir da agitação paulistana. "Quando ando descalça pelo piso de cimento ou reúno as pessoas em torno do fogão, me lembro dos anos em que morei na fazenda", recorda a dona, que viveu 20 anos em Assis, interior de São Paulo. A paixão confessa da família (a proprietária é casada e tem três filhos) pela ilha catarinense ditou a escolha do local e do estilo da construção uma reinterpretação do açoriano trazido pelos portugueses no século 18 e consagrado na região. O projeto ficou a cargo da arquiteta gaúcha Márcia Barbieri, expert no tema, que se estabeleceu em Florianópolis há 20 anos. Acompanhada de longe pela proprietária, a obra executada pelo engenheiro gaúcho Luciano Azzi, também radicado na cidade, transcorreu na mais afinada sintonia e em seis meses estava pronta. "Nesse período, estive lá só seis vezes, mas não me desliguei de nenhuma das etapas. Semanalmente recebia por e-mail fotos do que estava acontecendo na construção. Se algum item não me agradava, ainda dava tempo de mudar", conta a dona.
Antes que o projeto de 274 m2 fosse esmiuçado, clientes e profissionais se encontraram várias vezes. "Quase não houve mudança durante o percurso, mas algumas vezes isso foi inevitável. Um exemplo é o piso de cimento, que ganhou mais graça com os ladrilhos hidráulicos", diz a arquiteta. A escolha de materiais disponíveis em Florianópolis, como as telhas de barro e as esquadrias de louro-freijó, foi acertada logo de início, pois "os produtos vindos de fora da cidade poderiam gerar atrasos na entrega", explica a dona. Empregou-se também mão-de-obra local, já que a simplicidade dos acabamentos, como a pintura a cal das fachadas, não exigia especialização.
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