Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de maio de 2005
Solução caseira
Em casa de arquitetos, arquitetura é assunto sempre, até no final de semana. Pelo menos para a família Porto. O núcleo formado por Sidonio, autor de indústrias e fábricas premiadas, sua mulher, Lucia, arquiteta e paisagista, e o filho, Marcio, sócio do pai no escritório, se entreteve com esse tema por vários sábados e domingos. Até ficar pronta a almejada construção na praia. ¿O projeto custou a amadurecer¿, conta Marcio. ¿Nos últimos quatro anos fizemos uma sucessão de plantas e maquetes¿, completa. ¿Precisei de tempo para perceber que a melhor solução foi a que nasceu primeiro, de impulso¿, diz Sidonio, explicando que, depois de uma longa jornada, preferiu a idéia inicial.
"O terreno plano, cheio de árvores e de frente para o mar, no litoral norte de São Paulo, inspirava uma construção praiana e natural", lembra Sidonio. Nada de arquitetura urbana. Nem de abafar o grande atrativo local ­ a natureza. Assim nasceu a casa, que ocupa o mínimo possível da área, traz fundações rasas (sapatas isoladas) que afugentaram o estorvo de um bate-estacas e fica suspensa, de modo a evitar a impermeabilização do solo. Também se desvia das inúmeras árvores que povoam os 1500 m2 do terreno ­ e desde o princípio se esgueirou entre elas, assumindo uma curiosa forma de L. O dia-a-dia da obra ocupou a família tanto quanto o projeto. "Um de nós estava sempre lá nos finais de semana, acompanhando o trabalho", relata Marcio. Verdade que a adoção de uma estrutura de madeira que já chegava ao canteiro cortada e com os encaixes prontos simplificou o serviço. Dos 18 meses de empreitada, três foram dedicados à montagem da armação e da cobertura. Mas foi bom ter a presença de especialistas. "Certas necessidades a gente só percebe na hora: como detalhar caso a caso os caixilhos", diz Sidonio. E, com tanto esmero, a obra acabou se prolongando. "Trabalhar para si mesmo proporciona liberdade, mas colabora para que a gente se perca no processo", avalia o mentor do projeto. "Quando fica pronto a gente esquece tudo isso e desfruta", conclui.

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Projeto:
Sidônio Porto
Reportagem:
Graça Salles e Joana L. Baracuhy
Fotos:
Victor Fernandes