Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
Edição de junho de 2007
No limite
Se bem projetada, uma construção compacta aparenta ser maior e garante qualidade de vida a seus moradores. Conheça alguns segredos da multiplicação dos espaços.
Foi-se o tempo em que morar bem era sinônimo de muito espaço. Com o adensamento das cidades, as moradias diminuíram de tamanho e hoje viver em poucos metros pode significar bom gosto e estilo. Um projeto compacto precisa atender a tantas necessidades que os profissionais respondem ao desafio com muita criatividade. "O projeto tem bom resultado quando encontramos o potencial do terreno e valorizamos isso. Pode ser uma vista, a topografia, algo interessante na vizinhança...", avalia o arquiteto paulista Marco Donini. Vale salientar que construções com até 80 m2 podem ficar a cargo de um técnico em edificações; as maiores pedem um arquiteto ou um engenheiro. Veja como tirar o máximo do mínimo.

Aproveitamento do terreno
Cada município tem suas regras, mas um lote urbano pequeno gira em torno de 10 x 25 m no país todo. Seja qual for a medida, preste atenção nos recuos da frente e do fundo do terreno (nem sempre é obrigatório deixar área livre na lateral) e observe as taxas de projeção (limite de altura do imóvel) e de ocupação. O mais comum é poder construir o equivalente em metros à medida do terreno, dividido em dois pisos. Dito isso, vale considerar algumas situações: • Se o lote está em aclive, uma boa idéia é aproveitar o piso inferior como garagem; se estiver em declive, considere deixar os locais de serviço embaixo. • Construções verticalizadas ganham se acompanhadas de áreas livres: pátios, jardins-deinverno, quintais - que ajudam a ventilar e iluminar. "Essa é a graça de uma casa: a área externa, a vizinhança. Ou é melhor morar em apartamento", diz Marco.

Projeto
• Um espaço pequeno fica confortável se parecer mais amplo e a integração dos ambientes ajuda muito nisso. Vale juntar cômodos com funções compatíveis: ter cozinha americana em vez de sala de jantar, unir terraço e área de estar. O inverso também se aplica. Evite separar os ambientes com paredes fixas (alvenaria) e prefira armários, estantes ou divisórias de madeira ou gesso - mais finas ou fáceis de tirar. Outra idéia são os espaços flexíveis: quarto que vira sala de TV, escritório multiúso...

O mínimo necessário
As medidas de um ambiente devem seguir o código de obras do município. Mas há valores para a segurança e o conforto dos moradores, indicados por Rômulo Russi, professor do curso técnico de design de interiores do Senac-SP.

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• Como cada centímetro é precioso, atente para o dimensionamento dos móveis e eletrodomésticos e planeje sua distribuição. O melhor é que sejam poucos e compactos - o suficiente para atender os moradores, sem incluir eventuais visitas.
• O espaço de circulação deve ser mínimo ou servir como ambiente. Evite ou dispense os corredores - e que não sejam largos. Outra providência que ajuda é quebrar a monotonia. Um exemplo é ter mais de uma porta por ambiente (vai bem nas alas de estar), o que possibilita o acesso por diferentes vias.
• Aproveite cada canto. O lavabo ou um armário cabem embaixo da escada. Prateleiras altas livram a bancada de equipamentos e livros.
• Como a tendência em lotes pequenos é a casa crescer para o alto, o risco de comprometer a iluminação natural e a ventilação é grande. Aberturas no alto da construção são preciosas, pois deixam a claridade entrar e o ar quente sair. Um repertório grande de soluções ajuda nessa hora: clarabóias, lanternins etc.
• Lembre-se de que espaço é volume e tire partido dos metros cúbicos valorizando o pé-direito. Um mezanino pode fazer render o tamanho. Em vez de rebaixar o forro, deixe que ele acompanhe a inclinação do telhado.
• Valorize a área externa e integre-a ao entorno. Varandas, pergolados e decks são importantes aliados nesse sentido. Em geral, eles têm custo construtivo menor do que áreas cobertas e dão a sensação de incrementar o espaço interno.

Acabamentos
• Ambientes iluminados aparentam ser maiores. Invista em aberturas (portas e janelas) generosas e considere usar materiais transparentes (tijolos de vidro, por exemplo) pontualmente.
• Adotar o mesmo piso em vários ambientes ajuda a integrar. Nas alas sociais, vão bem madeira, pedra ou cerâmica em tons claros. A medida das peças deve ser proporcional à área, sendo que neste caso não ficam bem as menores de 40 x 40 cm. Para ampliar o espaço, a paginação da deve ser longitudinal ou diagonal.
• Teto mais claro que as paredes parece mais alto. Tinta de uma cor só (suave) em todas as superfícies ajuda a ampliar.

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Reportagem:
Joana L. Baracuhy