Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
R$46.000,00
Daqui enxergo mais longe
Debruçada sobre a paisagem deslumbrante, a casa de 85 m² tem áreas integradas e se alimenta da energia do vento.
Transporte do material foi o item que mais pesou
De um lado vê-se a serra da Mantiqueira; do outro, a serra do Mar e, em dias claros, Parati, RJ. "Quem há de resistir a este cenário paradisíaco?", indaga o artista gráfico Rodrigo Hamam, 30 anos, que construiu por R$ 45 820 este refúgio no cocuruto da serra da Bocaina, no interior paulista, a 1 800 m de altitude. Enquanto economizava para a empreitada, o moço acampou no terreno de 130 mil m2 durante dois anos, enfrentando frio e vento, até descobrir o melhor lugar para erguer a construção. Valeu a pena. Ao encomendar o projeto aos arquitetos Fernando de Magalhães Mendonça e Pedro de Melo Saraiva, sabia muito bem o que queria: uma casa simétrica com ambientes unidos.

Como o frete de materiais aumentaria em 10% o orçamento da obra, a construção dos 85 m2 deveria ser a mais fácil possível. Além de conceitual, a opção por materiais típicos da região representou economia e agilizou os trabalhos, já que os fornecedores estavam próximos. Pronta em oito meses, mostra-se ousada na distribuição. No miolo, sustentado por vigas de madeira e pilares de concreto, estão sala, cozinha e área de banho unidas e abertas para a paisagem. "O que mais me agrada aqui é a vista ampla e o silêncio", diz o proprietário, que poupou em outros itens. A estrutura dos dormitórios é de tijolos e dispensou a preparação de concreto - isso facilita construir em lugares de difícil acesso. A tubulação hidráulica aparente evita cortes nas paredes para a passagem dos dutos de PVC. A solução, econômica, permitirá detectar rapidamente eventuais vazamentos. A caixilharia fixa das janelas da sala e dos quartos foi também uma alternativa para baixar os gastos. No caso, a ventilação cruzada é obtida graças aos basculantes na cozinha e às bandeiras das janelas da sala. Quatro caixas de 1000 litros cada uma abastecem a casa com água da nascente. Sem energia elétrica no local, o aquecimento do chuveiro, da banheira de 1000 litros e da geladeira está a cargo de um sistema de passagem a gás. O resto conta com a eletricidade gerada por um sistema eólico.

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Reportagem:
Ana Paula Orlandi e Eliana Medina
Fotos:
Luiz Roberto Pereira