Arquitetura & Construção
 
 
 
 









 
2 meses - R$ 24.000,00
À sombra da araucária
Voltada para a serra, a cabana de 69 m2 lança mão de materiais locais, como madeira e pedra. Pronta em apenas dois meses, custou R$ 24 mil.
O casal de arquitetos Maria Inês Toledo e Rubens Tiezzi ensaiava construir uma segunda cabana no seu sítio em Campos do Jordão, SP. "Nossos filhos estão na fase de convidar os amigos para viajar com a gente. A casa principal ficou pequena", diz ela. A inspiração surgiu num passeio em noite de lua clara. "A bela sombra projetada pela araucária nesta parte do terreno nos impressionou", diz ela. "Na mesma hora me veio à cabeça o conceito do projeto: voltar a varanda e abrir os ambientes para a árvore", conta.

De dentro da cabana contempla-se bem mais do que a araucária que definiu o projeto. "Uma de suas faces é de vidro porque queríamos uma visão ampla do entorno", diz Maria Inês. Os painéis fixos (uma escolha mais econômica) podem dar a impressão de que a casa esquenta como uma estufa. Mas não é bem assim: duas portas-balcão, instaladas frente a frente em lados opostos da sala, propiciam a ventilação cruzada. "A luminosidade da manhã, no entanto, é forte. No futuro, instalaremos persianas para amenizá-la", conta a arquiteta.

"Desde o início queríamos fugir do estilo suíço que predomina em Campos do Jordão", fala Maria Inês, que ressalta neste refúgio vários elementos das casas caipiras brasileiras: telhado com duas águas, uso de tábuas, cozinha situada no puxadinho do telhado e base elevada. A opção por materiais típicos da região faz parte dessa concepção. E tem suas vantagens: "Barateia o frete e agiliza os trabalhos, pois os fornecedores estão próximos", aponta Rubens. Além disso, os arquitetos se preocuparam em utilizar recursos bastante familiares à mão-de-obra local: para calafetar as frestas entre as tábuas de pínus, por exemplo, eles indicaram uma mistura de cola de sapateiro e pó de serra. Por outro lado, lidar com esses trabalhadores nem sempre é fácil. Paredes inteiras foram removidas porque o mestre-de-obras errou ao fazer a solução impermeabilizante (veja quadro à esq.). Em vez de óleo diesel, ele usou óleo de trator e a madeira ficou preta. "O jeito foi trocar tudo. No andar superior, pregamos novas pranchas por cima das antigas, o que acabou melhorando o conforto térmico do quarto", conta Rubens.

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Veja os gastos em cada fase da obra

Fundação - 500,00
Estruturas de madeira - 1 156,00
Tijolos de barro - 800,00
Granito miracema - 350,00
Paredes e forro de pínus
Cobertura - 1 945,00
Contrapiso, assoalho e cerâmica - 1 450,00
Revestimento de paredes (banheiro e cozinha) - 480,00
Instalações elétricas e hidráulicas - 2 600,00
Louças e metais - 405,00
Portas e janelas - 2 200,00
Vidros comuns  de 3 e 6 mm - 1 500,00
Pintura e vernizes - 400,00
Lareira, corda, grama e ferragens - 998,00
Mão-de-obra - 8 500,00
Total R$ 24 131,00

Endereços

Cerâmica Gerbi
atendimento ao consumidor, tel. 0300-7895552.

Chiarelli
atendimento ao consumidor, tel. 0800-161788; www.chiarelli.com.br.

Montana Química
atendimento ao consumidor, tel. 0800-167667; www.montana.com.br.

Otto Baumgart
tel. (11) 6901-5522, São Paulo, SP; www.ottobaumgart.com.br.

Toledo, Tiezzi Arquitetos
r. Peixoto Gomide, 2054, 20 andar, tel. (11) 3081-6367, São Paulo, SP.

Projeto e construção:
Toledo, Tiezzi Arquitetos
Reportagem:
Eliana Medina e Marianne Wenzel
Fotos:
Luiz Roberto Pereira