EU MORO, TU AMORAS
Quarta-feira, 27 de Maio de 2009
Fachadas azulejadas
postado por Márcia Carini às
"Há, em certas cidades de província, casas cuja vista inspira uma melancolia igual à que provocam os claustros mais sombrios, as charnecas mas desoladas ou as ruínas mais tristes".
Honoré de Balzac, em Eugènie Grandet
Já não consigo me lembrar em que situação do livro Balzac faz esse comentário - deve ter uns 8 anos que li esse livro e anotei a frase. Mas me lembro, perfeitamente, do pensei quando a anotei. Eu pensei nas casas com fachadas azulejadas, muito comuns entre as construções da década de 80. Azulejar a fachada era uma opção para quem não queria gastar com pintura ao longo dos anos. Mas ao ver uma casa de fachada azulejada, penso que as paredes não respiram, são tristes...
Neste final de semana, passei em frente a uma casa, lá na esquina da rua dos meus pais. A parede é azulejada desde quando eu era muito, muito criança. Ela está igualzinha, o mesmo azulejo. O morador não gastou nada com tinta ou com tempo nos últimos 30 anos naquela fachada. Mas, puxa, que casa triste e sem surpresas é a dele. Imagina que tédio passar 30 anos entrando no mesmo portão e vendo a mesma parede, com o mesmo azulejo. Por isso, pintem suas paredes.
Marcadores: Balzac, Eugenie Grandet
Quarta-feira, 20 de Maio de 2009
postado por Márcia Carini às
Cada casa tem seu cheiro, que passa despercebido para os seus moradores. Eles só o percebem depois de uma longa ausência. Robert Charbonneau, escritor canadense, no livro Ils posséderont la terre (1941)
Minha mãe elogiou, recentemente, o cheiro da casa do meu irmão. É que minha cunhada é super caprichosa, coloca umas essências para deixar tudo bem perfumado. Fiquei pensando que talvez minha mãe não saiba (porque tão poucas vezes se ausenta de casa), mas a casa dela também tem um cheiro tão bom, mesmo sem as essências ou incensos. A casa da minha mãe (que é a casa onde eu cresci e vivi até os 19 anos), tem o cheiro delicioso da minha infância. Sempre que eu deixo uma roupa por lá (para a minha mãe arrumar, por exemplo), a peça volta com o cheiro da casa da minha mãe. O mesmo que está guardado na minha memória para sempre e que, certamente, eu não consigo reproduzir no meu apartamento hoje. O que será, afinal, que traz os cheiros para as nossas casas? Pessoas caprichosas, encontrarão a respostas no vídeo que ensina a fazer
perfume para roupa de cama. Eu continuarei a buscar a resposta em algum outro lugar...
Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008
postado por Márcia Carini às

A ordem arquitetônica nos atrai, também, como uma defesa contra a sensação de complicações excessivas. Aceitamos bem os ambientes feitos pelo homem que nos dão uma impressão de regularidade e previsibilidade na qual podemos confiar para descansar nossas mentes. Não gostamos muito, afinal, de surpresas constantes. Allain de Botton em A arquitetura da felicidade
Acabo de fazer uma limpeza incrível na minha mesa. Eu me inspirei um pouco na
aula de Organização do Curso de Decoração. Sobre minha mesa, havia pilhas e pilhas de papéis, recadinhos mal espalhados, revistas amassadas. No chão, sacolas com mais revistas, mochila da academia de ginástica, tudo revirado. Causava muito desconforto para mim e também para quem vinha até a redação conversar comigo. Resolvi, então, colocar tudo no lugar, guardar (de forma organizada) apenas o que realmente iria precisar. Eliminei duas caixas imensas de lixo reciclável. Estou orgulhosa - dei fim a toda e qualquer sensação de complicação excessiva. Como estamos em época de fazer planos para o ano novo, espero manter essa ordem pelos próximos 12 meses. Cobre-me em dezembro de 2009. Boas festas!
PS.: A foto é do site Open2Tech, de um post que ensina a gerenciar problemas com links em blogs
Marcadores: Allain de Botton
Quarta-feira, 17 de Setembro de 2008
Lourenço Diaféria e a indesejada da gente
postado por Márcia Carini às

Os apartamentos do prédio são cubículos habitados pela tripulação anônima das ruas; gente quase sempre sem genealogia e sem bens de raiz. Gente que tem como único patrimônio o cotidiano áspero.
Lourenço Diaféria na Crônica dos Pães
Kika passou por aqui, rapidamente, e comentou a morte de Lourenço Diaféria (hoje, 17 de setembro). Mais que isso: deu-me uma aula sobre esse cronista nascido no Brás, em 1932. Foi tão emocionante seu breve relato que me motivou a procurar alguns textos de Diaféria. Sim, Kika, eu adorei. Obrigada. Rendo uma homenagem ao seu cronista preferido.
Abraços,
Márcia
A foto é do site da Atica, para o qual ele deu uma entrevista em 2006 sobre o livro O mundo é uma bola.
Quarta-feira, 10 de Setembro de 2008
Espelho invertido
postado por Márcia Carini às
Os outros lugares são espelhos em negativo. O viajante reconhece o pouco que é seu descobrindo o muito que teve e o que não terá.CALVINO, Ítalo. As cidades invisíveis. São Paulo: Cia das Letras.
Ali pela página 29, desse livro tão impressionante, Marco Polo e Kublai Khan dialogam sobre por que viajar. E a resposta de Marco Polo está acima. Isso me faz pensar na seção
Mostre sua Casa. Nela, qualquer internauta posta fotos de sua casa e pode, também, comentar as casas alheias. É um grande sucesso. Reconheço, agora, que um pouco do fascínio de viajar pela casa do outro está na comparação que fazemos com a nossa própria. Visitar
mostras de decoração é a mesma coisa. Vou dizer: para mim, todos os ambientes são o espelho invertido da minha casa...que pena...
Abraços,
Márcia
A foto é de um blog português, o Letrasimples.Marcadores: espelho, Ítalo Calvino
Quinta-feira, 4 de Setembro de 2008
Material de demolição
postado por Márcia Carini às
Um dia metem abaixo as telhas: sempre vale trinta mil réis o milheiro - e fica à inclemência do tempo o encargo de aluir o casarão.Monteiro Lobato, em Cidades Mortas
Lembro-me da primeira matéria que fiz sobre material de demolição. A idéia era mostrar como é bacana construir com peças vindas de outras casas. Mas, na primeira entrevista, o arquiteto contou como era triste ver tantos e tantos casarões mineiros (parte da construção da nossa história) virar lote de material empilhado em caminhão... A cultura do restauro não faz parte de nós.
O trecho de Lobato vem da crônica Cidades Mortas, publicada no Estadão em 29 de fevereiro de 1916. Ela deu nome ao livro (publicado em 1919).
Abraços,
Márcia
A foto é da cidade de Bananal, que, segundo o site Explora Vale, seria conhecida como a capital das Cidades Mortas.
Quarta-feira, 3 de Setembro de 2008
Pedreira
postado por Márcia Carini às

Os homens fazem as casas, mas as mulheres fazem os lares.Provérbio inglês
A construtora Guanandi está construindo um
condomínio em Parauapebas (sudeste do Pará) e parte da mão-de-obra é feminina. Como o sistema construtivo é simples, mulheres erguem as paredes, literalmente. No Pará (e em outros lugares do Brasil), mulheres pedreiras fazem as casas e os lares.
Abraços,
Márcia
A foto é...ok, ok...você entendeu, né?Marcadores: pedreira, provérbio