Revista Casa Claudia Edição de Maio de 2009
CASAS

As oito grandes tendências do morar

Jeitos de morar antenados com o nosso tempo: CASA CLAUDIA conversa com centros de estudos especializados em antecipar o futuro e traduzir desejos que pairam no ar

Reportagem Visual: Cristina Bava e Isabella Mendonça (assistente)
Texto: Lúcia Santos Gurovitz

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Nem sempre a gente se dá conta, mas grandes acontecimentos que afetam a humanidade, como a globalização, a crise econômica e as mudanças climáticas, exercem enorme influência sobre nosso jeito de morar. Para identificar quais movimentos vão atuar daqui para a frente sobre o modo como as pessoas vivem, CASA CLAUDIA conversou com centros de estudos especializados em antecipar o futuro e traduzir desejos que pairam no ar. Detectamos oito tendências, esmiuçadas logo abaixo. Além dessas tendências, existe também uma tomada de consciência que aponta em direção a uma vida mais simples, criativa e sustentável. Conheça a história de quatro personagens que vivem melhor com menos dinheiro, espaço e glamour.

[img1]A primeira se chama Multicultural: é a casa dos apaixonados por viagens, que trazem objetos de toda parte. “Existe um fascínio por outras culturas, e misturar várias dá origem a um estilo próprio”, diz Blanca Liane, agente no Brasil do instituto francês Carlin. Este é o caso da chef Letícia Massula, que se inspirou nas casas de Pablo Neruda e nas cores de Frida Kahlo para montar seu sobrado, repleto de objetos trazidos de viagens. Conheça a casa da chef Letícia Massula

[img2]Em seguida, vem o Simples Chique, que propõe investir em peças essenciais e se livrar dos excessos. “As pessoas querem casas limpas, sem bagunça e úteis e não mais apenas ambientes minimalistas”, diz o último relatório sobre o morar do portal inglês WGSN (Worth Global Style Network). A arquiteta Tania Eustáquio faz parte deste grupo: ela acredita que uma decoração livre de excessos desperta o sentimento de tranquilidade. Conheça um dos apartamentos projetados pela arquiteta Tania Eustáquio

[img3]Sob o nome Natureza em Casa estão os espaços que evocam paisagens intocadas. “Eles expressam o desejo de fuga do urbano”, explica Sabina Deweik, representante no Brasil do Future Concept Lab, com sede em Milão, Itália. A decoradora Maristela Gorayeb acredita que a correria nas grandes cidades faz com que nos afastemos de nós mesmos. Assim, em seu apartamento, a decoradora evoca o contato com a terra e o verde. Conheça o apartamento da decoradora Maristela Gorayeb.

[img4]Outra tendência é a descoberta dos pequenos luxos. Você não tem espaço ou dinheiro para uma banheira de hidromassagem? Então que tal comprar um aparelho para massagear os pés (na foto, modelo da Mallory)? Pequenos luxos como este estão em alta porque hoje as pessoas têm acesso à informação, sabem o que é bom e querem o que há de melhor, ainda que numa versão reduzida. “Mesmo lojas populares precisarão investir em design, pois produtos sem esse diferencial não serão mais aceitos”, diz Blanca Liane, do Carlin. Os pequenos luxos também funcionam como uma recompensa pelo dia-a-dia estressante.

[img5]Há também a valorização da cozinha como local de encontro. “Sou mineira e, em minha família, a cozinha sempre foi o cômodo mais importante da casa”, conta a chef Letícia Massula, dona do ambiente da foto. Essa importância está sendo resgatada, pois as pessoas têm necessidade de se encontrar. “Nada melhor do que fazer isso em torno da comida, rindo e falando da vida”, diz a chef. Segundo o portal WGSN, o ambiente merece atenção, pois está na linha de frente da sustentabilidade. É ali que você corta o desperdício e consome alimentos orgânicos.

[img6]Ver a casa como um ambiente que restaura é mais um movimento que passa a influir no morar, afinal, mais do que nunca, ela é o local onde você recarrega as baterias para enfrentar o mundo lá fora. “A casa hoje está associada a proteção e silêncio, duas coisas que você não encontra na rua”, afirma Sabina Deweik, do Future Concept Lab. Por isso, cresce o desejo por equipar a moradia com peças confortáveis, que propiciem bem-estar e relaxamento. Na foto, a poltrona Good Vibration, da italiana Campeggi, que, além de abraçar o corpo, emite uma suave vibração que ajuda a eliminar as tensões e induz ao sono.

[img7]A próxima tendência é uma constatação cotidiana: a tecnologia está cada vez mais fácil de usar. Nada de botões em profusão e manuais complicados. “Vão surgir cada vez mais aparelhos acionados por poucos comandos, identificados por ícones gráficos, e cujo uso é quase intuitivo”, diz Sabina Deweik, do Future Concept Lab. A Apple, empresa-símbolo dessa mudança, acaba de lançar nos Estados Unidos o novo iPod Shuffle (foto), de apenas 4,5 cm. Neste tocador de música, uma voz informa o que você vai ouvir em seguida. Com isso, eliminou-se o visor. Outra novidade é a convergência, ou seja, os aparelhos que somam funções, como as lavadoras de roupa que também secam e desamassam os tecidos.

[img8]Os ambientes flexíveis configuram como a oitava tendência. Espaços sem funções tão demarcadas, que podem ser reconfigurados conforme a vontade do morador. Essa tendência se refere especialmente a casas e apartamentos pequenos, nos quais os proprietários derrubam paredes e aí precisam encontrar novas formas de ocupação. Móveis articulados, com rodízios, e multiúso ganham valor. De acordo com o WGSN, a mobília “que cabe” não satisfaz mais: ela precisa ser versátil. Neste apartamento, projeto dos arquitetos Paula Neder e Alexandre Monteiro, a flexibilidade é dada pelos painéis de correr.